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Barcelona Pavillion

A necessidade de espaços de contemplação não é um fenómeno moderno. Na beleza das linhas dum jardim japonês do século XII já se encontrava um arranjo, uma disposição do espaço, um respirar de calma onde, ao entrarmos, nos afastamos do ritmo do exterior, onde o corpo se expande para lá dos limites e o tempo colapsa na ausência de mudança. Ficamos suspensos, a mente liberta-se para contemplar.

Com o tempo moderno a acelerar através do nosso corpo, esta necessidade torna-se ainda mais premente, como se só assim se pudesse evitar a nossa pulverização.
O Barcelona Pavillion é um desses espaços que deveriam salpicar o horizonte das nossas cidades.

Minnie Freudenthal
barcelona pavillion
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O “Barcelona Pavilion”, projectado por Ludwig Mies van der Rohe, foi o pavilhão alemão para a Exposição Internacional de 1929, em Barcelona. É um edifício importante na história da arquitectura moderna, conhecida pela suas formas simples, uso espetacular de materiais e mobiliário especificamente desenhado para o local.
Ludwig Mies van der Rohe nasceu em 27 de março 1886 em Aachen, filho de Jakob Mies, um comerciante de mármore. Durante sua participação na Weissenhof em Stuttgart, entre 1925 e 1927, Mies estabeleceu uma colaboração com a designer de interiores Lilly Reich que duraria até 1939. Juntos trabalharam no Pavilhão de Barcelona, na casa Tugendhat em Brno e na casa que apresentaram na exposição de Berlim 1931.
Nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial em 1924, após o plano Dawes, a economia da Alemanha tinha começado a recuperar. O pavilhão para a Exposição Internacional era suposto representar a nova Alemanha de Weimar: democrática, culturalmente progressiva, prospera e completamente pacifista.
O Comissário, Georg von Schnitzler disse que o pavilhão alemão deveria dar “voz ao espírito de uma nova era”.
Após o sucesso obtido em 1927 na Werkbund em Stuttgart foi oferecida a Mies a execução deste projecto. A República alemã confiou a Mies a gestão artística e montagem do Pavilhão Barcelona e também todos os edifícios da representação alemã na Exposição Internacional. Os constrangimentos de tempo foram muito marcados e Mies teve que projetar o “Barcelona Pavilion” em menos de um ano.
A resposta de Mies ao desafio de von Schnitzler foi radical.
O pavilhão era para ficar nu, sem exposições. Apenas ficaria presente a estrutura, uma única escultura e o mobiliário especialmente desenhado para o local.

Isto permitiu a Mies criar “uma zona ideal de tranquilidade para o visitante cansado”.
Uma vez que o pavilhão não dispunha de um espaço de exposição real, era o edifício em si que se tornava a peça a exibir.
O pavilhão não foi apenas pioneiro para formas de construção mas também como uma nova oportunidade para uma associação livre entre arte e arquitetura. Mies colocou “Alba” de Georg Kolbe junto ao tanque de água pequeno no interior do pavilhão, deixando o grande tanque exterior ainda mais vazio. A escultura liga-se também aos materiais altamente refletivos utilizados no edifício. O ponto onde foi colocada “Alba” oferece múltiplas visões desmultiplicadas pelos efeitos ópticos.
Porque tinha sido planeado como um pavilhão de exposições o edifício destinava-se a existir apenas temporariamente. Foi de facto demolido no início de 1930, nem sequer um ano depois de ter sido concluído.
Contudo com o tempo, tornou-se uma obra de referência não só na carreira de Mies van der Rohe, mas também uma peça emblemática da arquitetura do século XX. Dada a importância e reputação do “Barcelona Pavilion”, muito arquitectos começaram a sonhar com uma possível reconstrução
Em 1980 Oriol Bohigas, como chefe do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Barcelona definiu este projeto como um objectivo importante para a cidade. Foram designados os arquitetos Ignasi de Solà-Morales, Cristian Cirici e Fernando Ramos para pesquisar, projetar e supervisionar a reconstrução do Pavilhão. Guiados pelas fotografias e planos originais foram empregues para reconstrução vidro, aço e quatro diferentes tipos de pedra (mármore travertino romano, mármore alpino verde, mármore verde da Grécia e ônix dourado das Montanhas Atlas). Todos eles com as mesmas características e proveniência como os originalmente empregadas por Mies em 1929.
O trabalho começou em 1983 e o novo edifício foi inaugurado no seu local original finalmente em 1986.
É actualmente um dos locais mais visitados da cidade e peregrinação obrigatória para quem se interesse por arquitectura.

 

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Fundació Mies van der Rohe

Fotografias de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

Médico Gastroenterologista, nasceu em Lisboa em 1951. Fez o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Lourenço Marques e Faculdade de Medicina de Lisboa. Fez a especialidade no Harlem Hospital em Nova Iorque. Vive em Lisboa desde 1986.

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