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No mar Portugal é grande

Os vossos netos viverão numa cidade em terra, cheia de problemas, superpovoada, ou numa cidade florescente, auto-suficiente no Mar do Futuro?

Henrique Melo

 

O primeiro humanóide, o Australopiteco, apareceu na Terra há 4 milhões de anos. A curva da evolução foi muito lenta e o Homo Sapiens só surgiu há 400 mil anos atrás. Só há cerca de 6000 anos que o homem deixou de vaguear pela terra como nómada -caçador – colector para se fixar e começar a desenvolver a agricultura e a criação de animais. Foi essa capacidade para se fixar e dominar o seu ambiente que esteve na origem de uma economia incipiente que permitiu criar excessos e reservas que alimentaram outros seres humanos que por sua vez se dedicaram a outras actividades mais complexas, iniciando assim o processo das sociedades organizadas por tarefas e que está na base do desenvolvimento humano a uma escala sem precedentes. Foi a capacidade do ser humano de se fixar e explorar a terra arável que permitiu nos últimos 5500 anos uma evolução extraordinária da humanidade, como nunca antes tinha acontecido em milhões de anos.

A humanidade está à beira de uma nova revolução. A fixação do homem ao mar e a sua exploração intensiva, já não mais como um nómada (comércio marítimo) – caçador (pescador) – colector (petróleo e outros produtos naturais), mas como um ser que de forma similar ao que aconteceu em terra há cinco mil anos atrás, usará o mar e todo o seu potencial para dar um salto evolutivo extraordinário e difícil ainda de imaginar (hoje 45% de todo o peixe consumido já é criado em viveiros no mar). Dois terços da Terra são cobertos de água que ligam diferentes espaços e povos. Portugal, tendo uma população e um território (terra firma) diminuto com poucos recursos naturais luta pela sua sobrevivência e por um modelo sustentado de desenvolvimento há anos. No entanto, Portugal tem a 11ª maior Zona Económica Exclusiva do planeta, no mar, com riquezas actualmente ainda incalculáveis. Mesmo tendo já uma enorme porção de mar, através do programa da extensão da plataforma continental poderá vir a reclamar uma área de subsolo marítimo equivalente a 80% de toda a Europa. As leis internacionais consagradas pelo Direito Marítimo Internacional conferem assim a Portugal uma soberania alargada sobre um território marítimo vastíssimo. No mar Portugal é grande, só pelo mar o país encontrará massa crítica suficiente para se afirmar e desenvolver no futuro garantindo total independência e margem de acção aos nossos filhos e netos.

Henrique Melo

Video de Miguel Mendes

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Escrito por

Henrique Melo, Oficial da Marinha de Guerra, licenciado em Ciências Sócio Militares-Ramo Marinha. Capitão-de-Mar-e-Guerra, com vasta carreira no mar, tendo comandado dois submarinos Daphné e uma fragata da Classe Vasco da Gama. Ex-Chefe de Serviço de Informações e Relações Públicas da Marinha. Pós graduação em Information Warfare, especialização em Navegação Submarina e em Comunicações e Guerra Electrónica.

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