De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Seremos superhomens imortais…

É natural hoje em dia fazer-se a separação entre organismos biológicos, e organismos (há quem prefira o termo dispositivos) artificiais criados com base no processamento computacional derivado dos semicondutores. Nestes últimos incluem-se por exemplo os robôs, sensores, telemóveis ou avatares.
Esta dicotomia irá manter-se no futuro?

Actualmente já ocorre em certa medida a fusão destes dois conceitos:
. Aparelhos auditivos são utilizados para aumentar e/ou recuperar a capacidade auditiva de pessoas
. Estão a ser desenvolvidos retinas artificiais ligadas ao cérebro humano, no qual estão envolvidos investigadores Portugueses, de modo a corrigir problemas de percepção visual em indivíduos.
. Ao nível sensorial e motor, existem actualmente protótipos de próteses robóticas, contendo elementos de processamento que recebem e enviam sinais de / para grupos de neurónios, estabelecendo assim a conexão entre o artificial e o mundo biológico. Estão também a ser desenvolvidos esqueletos artificiais capazes de deslocar um humano (e controlados por este) assim como uma carga pesada, os quais irão devolver poderes como a mobilidade aos paraplégicos.

Se por um lado a engenharia tem sido largamente inspirada nos mecanismos biológicos, o contrário também acontece na criação dos organismos biológicos do futuro, através da crescente inserção de mecanismos artificiais em material biológico, ou na programação do próprio material biológico. Uma abordagem para a fusão entre computadores e seres biológicos consiste na criação de computadores e robôs a partir de materiais biológicos – as células.

No futuro, na compra de uma prenda, poderá programar uma flor na loja para que esta abra numa hora e data específica (como o aniversário de alguém).
Será também possível substituir as áreas do cérebro com lesões – causadas por derrames, acidentes ou doenças (como a doença de Alzeimer) – por processadores conectados ao resto do cérebro, executando algoritmos de inteligência artificial que desempenham funções semelhantes às do material biológico substituído.

As tecnologias baseadas em semicondutores serão cada vez mais utilizadas nos seres humanos, pois as pessoas estão dispostas a pagar para ter uma vida longa e saudável. Como consequência, os seres humanos poderão, no futuro, não só corrigir possíveis deficiências, mas também, e principalmente, aumentar de forma significativa as suas capacidades físicas e mentais: correr mais rápido, saltar mais alto, reter a respiração por mais tempo, efectuar cálculos mais complexos, ou obter uma maior acuidade visual e auditiva. Enfim, ter superpoderes…

As lesões de órgãos serão facilmente reparadas, pelo que o Homem irá viver cada vez mais tempo. Enfim, no limite, a Imortalidade…

Nesta fusão, não só os robôs ficarão mais parecidos connosco, mas nós também ficaremos mais parecidos com eles. De futuro, o Homem terá assim um novo visual…

O nosso cérebro e corpo estarão permanentemente ligados ao mundo…

superhomens imortais
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Ao nível da comunicação entre pessoas, como será o futuro?

O telemóvel do futuro será um robô, um computador, um agregador de tráfego de rede pessoal de sensores, uma chave electrónica, um cartão de crédito, um leitor de rótulos no supermercado, uma estação multimédia interactiva, uma consola de jogos. E será também a porta de entrada para plataformas de oferta de serviços variados, tais como educacionais e de cuidados de saúde.

Transportar o telemóvel será antiquado. Pode utilizá-lo inserindo um chip à superfície da pele, ou optar pela telepatia, ligando este directamente ao cérebro. A energia para o seu funcionamento é obtida directamente do corpo humano. A comunicação pessoas-máquinas, que foi durante algum tempo baseada no reconhecimento de gestos, passou a ser feita também por telepatia.

A roupa não servirá apenas para tapar partes corporais e proteger do ambiente. É um instrumento de comunicação: as nossas roupas são interactivas, dinâmicas, inteligentes. Uma aplicação de mapas pode ser projectada na sua T-Shirt; o seu colete reconhece automaticamente as caras e/ou voz de pessoas conhecidas e relembra-o do nome dessas pessoas; os seus óculos fornecem-lhe informação interactiva adicional, seleccionada por sí, do ambiente que o rodeia enquanto passeia, sobrepondo à imagem actual do Rossio a movimentação de pessoas no século passado.

Para além do nosso cérebro, o corpo humano (e dos robôs ou criaturas artificiais, ou mistas), estarão também permanentemente ligados à nova internet. Vários sensores biológicos estão espalhados no nosso corpo. Iremos ter sensores e robôs microscópicos dentro do corpo, fixos ou móveis na circulação sanguínea, os quais monitorizam o estado interno do corpo (fazendo análises continuas ao sangue, verificando níveis hormonais, etc), e que são capazes de efectuar reparações localmente. Existem também vários sensores à superfície da pele, os quais comunicam com os sensores internos, e monitorizam diversas variáveis do organismo, tais como o batimento cardíaco, a respiração, etc. Esta informação é transmitida de forma continua para fornecedores de cuidados de saúde, os quais são alertados de forma preventiva em caso de problemas detectados.

No futuro, para além da genética, os novos avanços na área farmacêutica devem-se às tecnologias de informação e comunicação. As prescrições de medicamentos acabaram. Robôs do nosso corpo irão receber a informação das substâncias a que o organismo é alérgico de servidores remotos, e administram a dose de tratamento de forma inteligente, de acordo com a percepção do estado da doença. A medicamentação pode ser administrada directamente no local da doença, sendo transportada até esse local, não afectando outras partes do organismo. O cancro será vencido administrando o tratamento apenas no local da doença, sem efeitos colaterais.

As epidemias são rapidamente isoladas usando as redes sociais assim como a informação dos sensores biológicos no corpo humano.

As infraestruturas que nos rodeiam, e o mundo em geral, serão inteligentes e omnipresentes

Actualmente, a população mundial está a envelhecer, especialmente nos países desenvolvidos. Será portanto necessário mais mão de obra na indústria, serviços, etc. E mais profissionais de saúde em casa a tomar conta de familias envelhecidas. Tal será realizado no futuro por robôs industriais e de serviços, os quais irão gradualmente substituir a falta de mão-de-obra humana para estas tarefas.

A robótica será pervasiva nas nossas vidas. Os robôs estarão presentes em todo o lado. As habitações serão autoconfiguráveis, inteligentes, e a sua construção utiliza material biológico geneticamente alterado: a árvore do seu quintal passa a estar fundida com a sua casa. Os electrodomésticos são inteligentes e interagem com os humanos. A cama é um robô – além de o ajudar a acordar, arruma-se a si própria. As loiças nas casas de banho limpam-se autonomamente. Robôs aspiram e lavam as paredes. Todos eles com uma personalidade própria. E todos eles serão monitorizados remotamente por um gestor de redes de robôs; qualquer eventual falha destas criaturas será prevista com antecedência. Estas criaturas artificiais estarão também ligadas em rede, comunicando umas com as outras e com humanos.

Irão existir também no futuro robôs em materiais no estado líquido. O próprio líquido é programado para percepcionar o ambiente, mudar de forma e actuar em função de tarefas que terá que desempenhar. Estes robôs farão parte das nossas vidas: desentopem lava-loiças e banheiros, detectam e arranjam infiltrações, e resgatam criaturas (humanos, artificiais ou mistos) em desastres naturais.

Os jogos irão ser imersivos. Ao jogar na sua consola de jogos, a sua casa irá configurar-se ao cenário do jogo: ao ver um filme de terror, as janelas da sua casa batem, as luzes podem desligar de repente, como acontece no filme. Os robôs de serviços em sua casa também podem entrar no jogo. Os jogos de carta serão interactivos, as cartas em vez de imagens apresentam agora conteúdos multimédia interactivos. Pode ver as noticias e os filmes com os seus apresentadores/actores preferidos, ou com você próprio, ou com caractéres animados. A sua televisão é configurável e permite-lhe substituir pessoas e objectos nos conteúdos que recebe, por outros. A Web e o vídeo foram fundidos, pelo que pode apontar um rato ou comando para os óculos ou sapatos da nova estrela de cinema num filme e aceder ao sítio do WebVideo onde pode adquiri-los. Poderá ver e participar nos filmes em rede, assumindo papéis de personagens na história e executando acções que determinarão a evolução desta.

A televisão deixou de existir. Conteúdos multimédia são agora recebidos por um sensor ligado directamente ao nosso cérebro. Esses conteúdos multimédia são muito realistas, incluindo informação vinda dos 5 sentidos: imagens 3D, áudio 3D, percepções olfactivas, palativas, e sensações de tacto.

As redes de sensores sem fios são pervasivas, prevendo desastres naturais (sismos, erupção de vulcões), incêndios, vibrações em edificios, etc.

A Nova internet do Futuro – Telecomunicações Vivas…

De futuro deixam de ser necessários técnicos para planear e gerir operacionalmente as redes de comunicações, assim como para efectuar reparações nestas. As redes de comunicações do futuro serão criaturas artificiais complexas e inteligentes. Serão capazes de se gerir autonomamente, ordenando equipamento adicional para satisfazer novas necessidades, e serão capazes de se auto-reparar e auto-configurar.

A nova internet não será apenas uma rede de redes – será um conjunto de criaturas artificiais que comunicam e cooperam entre si de forma a manter o mundo conectado.

A Computação em Nuvem, actualmente um tópico quente nas redes de computadores, passou à história. A nuvem agora não é apenas a internet como uma rede de redes, mas sim a Internet das coisas. Existirá poder computacional significativo nas redes de dispositivos pessoais de cada um de nós, as quais incluem o material biológico. Plantas e outros organismos passarão a fazer parte dos recursos computacionais disponíveis em rede.

As redes sociais Web são inteligentes, adaptando os conteúdos aos utilizadores. As comunidades na Web serão formadas por humanos e robôs, ou uma mistura de ambos. Mas serão também formadas por avatares inteligentes que residem no mundo virtual da internet das coisas. Num futuro mais longínquo, outros organismos biológicos (como plantas), programados de forma a serem capazes de processamento inteligente, participarão também nas redes sociais.

Artur Arsénio
2011

Fotos de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

Tem um doutoramento em informática pelo MIT, durante o qual frequentou um programa de pós-graduação em gestão com ênfase na Estratégia Tecnológica no MIT Sloan School of Management. É professor universitário no Instituto Superior Técnico, desenvolvendo investigação na área de redes de computadores. Artur é responsável pela área da inovação na Nokia Siemens NetworksPortugal. É autor de mais de 70 artigos científicos. Detém actualmente 6 invenções submetidas para patentes internacionais, e vários prémios científicos e de inovação.

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