De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Tijolos Mekong

O mundo propõe-nos possibilidades: affordances, como dizem os filósofos. Não são só as matérias do mundo que nos são propostas, são também as formas de reagir entre elas, lógicas de encadeamento das coisas que se encontram à nossa volta, modos de viver que nos vão satisfazendo as necessidades, os desejos, os caprichos. E quando digo nós, não falo só dos humanos, apesar de principalmente ter esses em mente. Por exemplo, há pássaros que também sabem fazer ninhos duráveis e seguros com terra, erva e água.

Neste mundo, as coisas reagem umas às outras de maneiras regulares. Estando nós a olhar ou não, as coisas combinam-se com efeitos recorrentes e específicos. Por muito que não pensemos nisso, há certas combinações que são infungíveis para os seres vivos. São coisas que se combinam tão bem e com efeitos tão imediatos que, mesmo quando nós não as planeamos, acabamos por cair nelas. Coisas que, apesar das transformações a que vão sendo sujeitas, cada uma em particular no decorrer natural dos seus ciclos de existência, se vão continuando a combinar de formas que dão jeito à espécie humana e até a outras espécies. Quantas vezes na história é que um ser humano descobriu que, se misturar terra, água e erva e secar o produto infinitamente moldável ao sol ou ao fogo, o resultado é uma substância dura, estável, estanque (dependendo da temperatura), e agradável ao toque?

Muitas coisas se combinam, mas algumas combinações têm mais do que uma valência e, nesse processo de transformação constante que é o mundo, resultam em processos duráveis de grande impacto prático. São coisas que não conseguem fugir umas das outras porque os produtos da sua combinação são sólidos e respondem bem às necessidades da vida. Por isso, são combinações que constituem elementos primordiais do mundo do qual os humanos fazem parte. Mundo material, sim, mas onde o útil, o lógico e o sentimental, vão emergindo passo a passo. Estas coisas combinam-se bem a todos esses níveis. Essa tal qualidade de ‘combinar bem’ que estes processos possuem não tem a ver só com a utilidade que têm para os seres vivos que combinam as matérias constituintes, tem a ver também com a natureza durável, certa, constante, dos processos que dessas combinações resultam.

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Essas combinações primordiais são affordances para todos os seres vivos. São sintonias entre as coisas, que se verificam a muitos níveis. Há muitas combinações destas; senão vejamos as que existem entre o cardo e o leite que faz queijos, entre a aspirina e os nossos estados inflamatórios…entre os mancos e os bastões. Há muitas. Quando cada um de nós traz à consciência analítica uma destas combinações, particularmente as mais complexas, somos penetrados pela sensação de que percebemos mais sobre o mundo e, nesse momento, experienciamos uma espécie de estranheza; uma sensação de que saímos da nossa condição mesquinha habitual, que estamos a tocar em algo de intemporal, em algo que nos ‘ultrapassa’. Esse é o lado místico da materialidade que revistas como o National Geographic, por exemplo, sabem explorar com fins comerciais tão evidentes.

Quando a Minnie, o Manuel, a Mónica e eu estávamos a visitar o Delta do Mekong no Vietname em 2011, propuseram-nos que visitássemos uma fábrica de tijolos. A princípio, confesso, a ideia pareceu-me estranha – turista arisco que eu sou. Mas como tudo o que víamos neste rio era tão cheio de vida e tão diferente, pensámos que, mesmo que a fábrica não fosse interessante, podíamos sempre olhar para o tráfico constante que passava no rio… Mas foi interessante, sim. O resultado são essas extraordinárias fotos que aí vos são ofertas. Fotos que eles fizeram e cujos ângulos eu, como sempre nas nossas viagens, fui verificando, criticando, aprovando ou deplorando nessa mistura de fascínio e impaciência, que é afinal – quem sabe? – a minha principal condição de vida (… para os que não me conhecem: podia ser pior).

Conforme íamos conhecendo melhor o Delta do Mekong, o inesperado da zona foi-se impondo de forma mais e mais evidente. Não havia ali nada que fosse muito diferente de outros ambientes geográficos que já conhecíamos, só havia era uma mistura diferente entre água, terra e erva. O encadeado da coisa escapava-nos, mas, por fim, tudo se foi tornando mais claro quando percebemos como o tempo tinha moldado a forma como as pessoas e o meio ambiente coexistiam no Delta através de toda uma série de técnicas que não eram assim tão surpreendentes, mas que estavam levadas ali aos seus extremos: o uso dos canais, o tipo de barcaças, a construção de plataformas agrícolas rodeadas de água, as indústrias ligadas aos peixes, às lamas, às palhas, às canas (como a do açúcar), etc.

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Os vietnamitas até desenvolveram um tipo de palmeira cujo tronco cresce todo dentro de água e à superfície só sai o tufo das folhas e os frutos, uma espécie de coquinhos pequenos com um interior branco e gelatinoso, muito alimentar e muito, mas muito saboroso. As técnicas permitem a vida das pessoas que inventaram as técnicas, num meio ambiente pantanoso que, na origem, deve ter sido muito agreste para os seres humanos. Mas o que mais surpreende, é a forma como, no início daquilo tudo, lá estavam as tais affordances que o mundo propõe e que existem por todo o mundo.

O momento de epifania – quando nos compenetrámos do encadeado de técnicas que nos rodeava em toda a sua complexidade – ocorreu num dia feriado, quando deambulávamos sozinhos por esse enorme barracão industrial feito de paredes de tijolo e coberto de chapas de zinco, temporariamente esvaziado de pessoas. Se o espaço estivesse a formigar de gente, como normalmente está, acho que não teríamos experienciado essa estranheza; essa transcendência do lugar. Falo de um vago e difuso sentimento de mística, do género do que Lévy-Bruhl atribuía ao quotidiano dos ‘primitivos’.

Será que, afinal, por termos sido surpreendidos pela grandiosidade daquela sintonia material, pela forma como tudo aquilo ultrapassava os padrões habituais do que se pode fazer com terra, água e erva, nós quatro nos tornámos primitivos? Não! Como o próprio filósofo descobriu pouco tempo antes de morrer, não há primitivos; todos somos primitivos, porque todos somos sujeitos a sentir o que nós quatro sentimos nessa manhã de sol e bruma, no meio daquela fábrica abandonada, onde ainda se respirava o calor da cozedura nas paredes dos fornos, onde a fuligem entrava pelos nossos poros e sujava a nossa pele e o nosso sistema respiratório, onde as cores, as sombras, os claro-escuros, o acumular de objetos idênticos destinados a tornarem-se velhos por esse mundo fora, nos deslumbraram.

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Tudo aquilo era muito, muito vietnamita e, mais que isso e em particular, era próprio daquela região do Delta. Mas, ao mesmo tempo, tudo aquilo era também universal; tão universal quanto as outras affordances que, por esse mundo fora, a mistura de água, terra e erva sempre permitiram. Em tempos que já lá vão era essa mesma combinação, essa affordance, que a mãe nilota mobilizava nas planícies varridas pelo vento do alto vale do Nilo onde o seu povo vagueava nú atrás dos rebanhos de gado bovino. Chegada a um novo lugar, a mãe apanhava um punhado de ervas e tecia-o em forma de leque. Depois besuntava-o com a terra do chão misturada com a palha moída da bosta das vacas sagradas do marido, erguia com a paleta que assim esculpia um pequeno resguardo contra o vento, que passava a ser a sua cozinha. Isso era o mínimo indispensável para ela e os seus ali habitarem. Consolidado pelo fogo onde ela cozinhava a comida do marido e dos filhos, o pequeno resguardo de lama cozida representava a unidade social constituída por ela e os seus filhos. Essa unidade, a mais forte e básica daquela sociedade, recebia o nome da paleta de lama cozida que, na sua reduzida dimensão, representava tudo o que de mais forte pode haver entre humanos: a saber, os laços de mutualidade derivados da consubstancialidade, tanto física como alimentar, criada em torno da fertilidade de uma mulher.

Entre a erva, a água e a terra há um desses acordos inelutáveis de que eu falava acima; há um ajuste, uma combinação inadiável que, se pensarmos bem, acaba por ser uma das principais affordances que o mundo propõe aos seres humanos em sociedade. Primeiro, erva, água e terra são geralmente coisas que se encontram juntas e um pouco por toda a parte; depois, cada uma delas se combina com as outras de várias formas, sob várias das suas manifestações; e, finalmente, todas elas se combinam com os humanos de formas, afinal, bem menos variadas do que possa parecer a princípio.

A erva pode ser verde, pode ser palha, pode ser grão, pode ser farelo, pode ser alta, pode ser baixa, pode ser resistente, pode ser mole, pode até ser bosta de vaca… Por isso, pode ser comida, pode ser fogo, pode ser estrutura, pode ser agasalho, pode ser almofada, pode ser parte do cimento… A água pode ser rio, pode ser gota, pode ser gelo, pode ser vapor, pode ser nutriente, pode ser forma de aquecer ou de resfriar, pode ser meio de transporte, de lavagem, de mudança de cor… A terra pode ser lama, pode ser pedra, pode ser fértil, pode ser estéril, pode ser movediça, pode ser pesada, pode ser leve, pode ser quebradiça, pode ser inquebrável, pode ter muitas cores… As combinações entre cada uma das muitas variantes das propriedades de cada uma destas substâncias são imensas; ao limite incontáveis na sua multiplicidade. Mas todos, todos, vivemos constantemente num mundo onde a exploração destas affordances está constantemente à mão.

Que seria do império português sem os enormes tijolos de adobe seco ao sol, que depois são protegidos da erosão da chuva pela telha redonda lusitana, de origem romana? Do Algarve, passando pelo Brasil e seguindo pelas costas desses mares afora até chegar aos montes de Timor Leste, lá vamos encontrando ainda casas dessas. Quando se tiram as telhas a essas casas, os muros derretem-se à chuva e só esgaravatando entre as ervas é que se descobrem os fundamentos das casas. Há uns anos, no sertão do São Francisco, num canto esconso do Brasil, descobrimos fascinados os restos de uma enorme cidade mineira. O filão de ouro que dava vida à cidade tinha-se esgotado e, em menos de meio século, a selva tinha recuperado o espaço. Aqui e ali, porém, tinha sobrevivido ainda uma ou outra parede (entre elas, as da igreja, claro) em cima da qual alguém tinha substituído de ano em ano as telhas partidas ou levadas pelo vento. Essas paredes tinham ficado em pé, intactas, tal como tinham estado quando as ruas da cidade eram ativamente calcorreadas por centenas de mineiros, putas, padres e mulas. Todas as outras tinham voltado à condição de terra indígena.

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A gigantesca série de barracões que fomos visitar nesse dia feriado, no Delta do Mekong, estava aberta diretamente para um braço do rio por meio de enormes portadas que faziam de cais para as barcaças que traziam a terra como matéria prima, o farelo do arroz como combustível, as pessoas como mão de obra… e, mais tarde, levavam o produto, sob forma de tijolos vermelhos e cinzentos empilhados sob paletas de madeira, mas também muitas outras peças de todas as formas e feitios. Encontrei até, no meio das amostras abandonadas e de pilhas enormes de restos de encomendas, um monte de máscaras carnavalescas feitas de cerâmica. Logo experimentei uma. Até bustos copiados do David de Michelangelo havia ali!

Nesse dia feriado, ao sairmos da nossa canoa, o espaço enorme como o interior de uma catedral abria-se à nossa frente misterioso e palpitante. Pelo facto de estar vazio de gente, nós sentíamos mais a presença do calor, que não emanava de cima, das chapas de zinco do telhado, como teria sido de esperar nesta região tórrida, mas sim de baixo, dos tijolos das paredes, dos fornos e do chão à nossa volta. Os fornos, espalhavam-se aqui e ali sob forma de enormes casulos, como se fossem ovos gigantescos paridos por uma qualquer ave miraculosa, feitos de tijolo laranja coberto de cinza clara e fuligem. Ao lado de cada um, estava um enorme mostrador de relógio, ligado a uma ventoinha por um sistema de fios eléctricos que só lembravam uma bomba artesanal, dessas que os terroristas antes usavam (agora, o dinheiro saudi e turco já dá para pagar coisas mais sofisticadas).
O espantoso, porém, é que, quando olhávamos para o detalhe destes enormes fornos, percebíamos bem que aquilo eram ogivas, construídas com a técnica de arco que os arquitetos chamam gótico – um estilo de construção típico da Europa medieval. Deve ter havido mão de qualquer colono ali, para construir aqueles fornos…ou será que a difusão da técnica era anterior? Ou será que tinha sido ali, e não na Europa pós-romana, que tinha evoluído a técnica do chamado quinto acuto (assim chamada, pelo facto de cada semi-arco ter o seu centro no quarto quinto da distância entre as bases)?

Alguns estavam a meio de ser enchidos, outros a meio de ser esvaziados, e depois outros tinham sido cuidadosamente varridos e preparados para começar uma nova fornada. Num desses, cujo interior de uma cor de vermelho fogo profundo babusada em torno à porta por um negro azulado, o Manuel filmou a Minnie a fazer uma dança misteriosa; uma dança sem música, onde ela usava uma máscara de palha, que evoluía como se fosse uma corrente de água.

Havia algo de transcendente pelo facto de tudo aquilo ser um ambiente arquitectónico produzido com os próprios materiais que ali mesmo se fabricavam. Era uma espécie de Uruborus, de pescadinha de rabo na boca, para dizer a coisa mais à portuguesa. Mais ainda: a terra para os tijolos era a própria lama sobre a qual aquele mesmo rio corria e o combustível que efetuava a transformação de terra em instrumentos humanos era, afinal, o farelo do arroz produzido por essa mesma lama desse mesmo rio, para dar de comer à mão de obra, que vivia logo ali ao lado. Já antes nos tínhamos surpreendido com umas enormes barcaças, que ocupavam quase a largura inteira do rio e que passavam por nós rio abaixo com surpreendente regularidade, lampeiras como se fossem leves. A princípio pensámos que era arroz, só depois, quando a canoa em que íamos foi apertada contra o cais por uma dessas barcaças prenhes, é que percebemos que era farelo de arroz. Muito, muito – toneladas mesmo – de farelo, produzido em enormes moinhos industriais que nunca chegámos a visitar, lá muito mais a montante. Mas para onde iria tudo aquilo, para que servia tanto farelo? Só quando chegamos à fábrica dos tijolos é que, finalmente, percebemos.

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O sistema de aquecer os fornos era quase ridículo na sua simplicidade e, ao mesmo tempo, imensamente engenhoso na parcimónia de meios. O relógio era um interruptor, do estilo dos que se usavam nas primitivas bomba-relógio, que ligava a uma ventoinha – mas uma ventoinha do género mais corriqueiro, dessas que existem em todos os quartos de dormir de qualquer país tropical. O farelo era posicionado sobre a porta do forno numa espécie de prateleira de ferro inclinada por forma a tombar empurrado pela gravidade sobre uma grelha de ferro com paletas largas. Uma vez pegado fogo ao farelo mais em baixo, o vento ia puxando a chama e o oxigénio para cima e para dentro e o farelo ia-se transformado por incineração em cinza e ia sendo soprado para dentro do fogão, criando assim espaço para que mais farelo tombasse.

Ao fim de muitas horas, o calor da combustão do farelo cozia os tijolos. Tudo o que era preciso era ir pondo mais farelo de hora a hora. Agora era eletricidade que movia a ventoinha, antes deve ter sido o braço de uma qualquer criança pobre. Genial!

Havia ali, porém, algo de circular que me dava de pensar. Por fim, fez-se-me luz: eles faziam tijolos porque comiam arroz! Era quase como se houvesse assim uma sintonia divina entre aquelas formas de viver. Era quase como se fosse inevitável que, se eu cultivasse arroz, eu também iria fazer tijolo. Restava saber qual vinha primeiro: o tijolo, que permitia que se vivesse bem em regiões pantanosas (construindo casas, canais, cais, fornos, etc.); ou o arroz, que dava o sustento às pessoas que faziam e usavam o tijolo. Sim, porque, no princípio, o arroz não era mais do que uma erva qualquer. O arroz e o tijolo devem ter emergido mais ou menos ao mesmo tempo. Uma vez iniciado pelo desejo de mais vida, o ciclo técnico era imparável mas a base daquela história técnica era intemporal!

A minha imaginação histórica excitava-se pensando como todas aquelas técnicas, vindas de lugares tão distantes, passadas por mãos tão diversas no caminho, antes de chegarem ali ao Delta do Mekong, tinham sido combinadas numa espécie de rede de saberes tão complexa que tinha mudado até o mundo, mudando a própria substância das componentes da mistura, mas mantendo a combinação primordial entre erva, terra e água. Os circuitos do meu Mac são de cerâmica e fazem parte dessa história de saberes técnicos encavalitados, que se transformam em formas de fazer, que acabam por transformar quem nós somos.

A história da cerâmica, afinal, tem a ver com a história da comida e, quem sabe, com todas as outras histórias humanas. No mais básico, temos o ninho da andorinha. Depois, temos essa mãe nilota protegendo o lume com que dá de comer aos filhos. No meio do percurso temos uma destas fábricas vietnamitas. Mais próximo, temos sistemas cerâmicos que protegem, por exemplo, as cápsulas de exploração espacial, processos de uma tal sofisticação que não é possível sequer começar aqui a descrever como são feitos. É tudo uma árvore genealógica, uma história técnico-mística de como os humanos se vão inscrevendo no mundo de formas mais e mais complexas, mais e mais transcendentes. Todo esse acumulado depende, porém, de uma composição primordial que era uma affordance: o facto de que a lama seca é rija e de que a palha é um meio privilegiado não só para queimar a lama, mas também para a proteger de ser partida, para a transportar e, sobretudo, para lhe dar consistência interior, para lhe conceder estrutura.

João de Pina Cabral
Fevereiro, 2016

Galeria de imagens

Fotos de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

Antropólogo social, Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Foi Presidente da Associação Europeia de Antropólogos Sociais entre 2003 e 2005. Entre muitas outras obras é autor de Between China and Europe: Person, Culture and Emotion in Macao. Continuum/Berg, Nova Iorque, 2002 e co-editor com Frances Pine de On the Margins of Religion, Berghahn, Oxford, 2007.

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