De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Macau – city of dreams

A administração de Macau legalizou nos anos 20 do século XIX as casas de fantan – jogo que consistia em apostar numa quantidade de botões que o croupier tapava por baixo de um copo. Desde então o jogo instalou-se como atividade económica importante no território, tendo-se tornado vital a partir da década de 1960. Atualmente o número de turistas que vão a Macau ultrapassa os 2 milhões por mês, mais do que 4 vezes a população local. Macau nunca foi tão próspera. A população quase não paga impostos e todos os residentes recebem anualmente um “subsídio” do governo.

Durante quase meia década, a indústria era monopolizada por uma só sociedade. Depois da passagem da soberania de Macau à China em 1999, a licença do jogo foi liberalizada e os casinos não param de multiplicar-se, pois as grandes casas de Las Vegas entraram no panorama. Para enfrentar a concorrência feroz cada um tenta superar os outros em termos de arquitetura, luxo, serviço, entretimento. Os casinos tornaram-se verdadeiros mundos de fantasia, por fora e por dentro.

A atmosfera interior dos casinos não é nada a transmitida nos filmes de James Bond, com homens em smoking e mulheres em vestidos decotados. No passado, a clientela era principalmente hongkongueses e japoneses, agora é maioritariamente constituída por chineses do outro lado da fronteira. Na verdade o público é muito variado, há homens e mulheres, até velhinhas. Uma vez no ferry entre Hong Kong e Macau ouvi por acaso uma conversa entre duas donas de casa que tinham ido a Macau às escondidas dos maridos enquanto estes estavam nos respectivos empregos. Estavam aflitas com medo de se terem atrasado e não conseguirem chegar a casa a tempo de fazer o jantar! As salas VIP têm uma outra clientela, mas qualquer que seja a importância da aposta, estão todos lá à procura de uma fortuna acidental, e mais ainda de emoções fortes a desafiar a sorte.

A sorte existe? Claro que sim. Embora que as regras do jogo sejam feitas de tal maneira que o casino tem sempre uma maior probabilidade de ganhar, e as estatísticas agregadas o confirmam, entre os jogadores há sempre indivíduos que saem a ganhar. Os casinos são até obrigados por lei a colocar uma placa para avisar os clientes de que devem jogar com moderação e controle, mas ninguém liga. Na verdade, os casinos cultivam até no seu visual toda essa linguagem simbólica que evoca a mística da sorte.

Monica Chan
Maio, 2015

Fotos de Monica Chan

Partilhar
Escrito por

Nasceu e cresceu em Macau. Licenciou-se em Sociologia em França e tirou um curso de pós-graduação na Bélgica. Casou-se e instalou-se em Portugal em 1991, onde trabalha actualmente como tradutora de língua chinesa. Nunca perde uma oportunidade para viajar e comer coisas boas.

Sem comentários

COMENTAR