De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Cohousing

O cohousing nasceu nos anos sessenta, na Dinamarca, como resposta à insatisfação que indivíduos e comunidades sentiam em relação ao que a sociedade lhes oferecia como condições de vida comunitária. Deste movimento nasceu Saettedammen, o projeto mais antigo de cohousing moderno. Um dos estímulos foi o artigo escrito por Bodil Graae com o título “ Children should have 100 parents”.
Trata-se de comunidades intencionais de habitação ao redor de espaços comuns partilhados. Este conceito foi levado para os EUA pelos arquitetos Kathryn McCamant e Charles Durrett, tendo eles publicado o livro “Creating Cohousing: Building Sustainable Communities”.
No entanto, quer em Nova Iorque quer na China, já existiam projetos de habitação cooperativa.
Atualmente, há cada vez mais projetos cohousing como parte de uma nova economia de cooperação. A maioria dos projetos são intergeracionais, incluindo crianças, idosos, famílias e pessoas solteiras. No entanto, há cohousing que se foca apenas em seniores.
Tendem a ter preocupações de sustentabilidade social e ecológica. Podem ser urbanos, suburbanos ou rurais, tendo como fator chave a flexibilidade que respeite os valores e necessidades dos residentes.
Normalmente, os espaços comuns incluem zonas verdes e serviços de apoio. Os carros são colocados na periferia para que as pessoas se cruzem no espaço comum. A arquitetura do espaço é pensada de modo a reforçar o relacionamento entre os residentes.

Minnie Freudenthal
Janeiro, 2019

E se vivêssemos de outra maneira?

E se os nossos vizinhos fossem aquelas pessoas que conhecemos pelo nome e de quem recebemos e prestamos ajuda?
E se estas fossem também as pessoas com quem celebramos a vida e partilhamos recursos e alguns espaços comuns?
E se tudo isto fizesse parte de uma arquitetura que incluísse o nosso desejável e indispensável espaço de vida privada, assim como espaços coletivos, desenhados em colaboração com os “nossos” arquitetos ?
E se vivêssemos na proximidade de pessoas de todas as idades, crescendo na partilha de saberes e experiências, desafiando-nos mutuamente através de uma interação criativa e respeitadora da individualidade de cada um/a?
E se, para uns, isto fosse sinónimo de envelhecimento activo, e, para outros, a possibilidade de criar as crianças e os adolescentes num ambiente mais rico e seguro?
E se tudo isto significasse mais qualidade de vida com menos custos ambientais e financeiros?
Por isto, estamos a juntar pessoas e recursos financeiros para concretizar esta ideia.

Maria Trindade Serralheiro
Janeiro, 2019

Fotos de Manuel Rosário e do Blog Sunward Cohousing, USA

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Escrito por

Alice Minnie Freudenthal, médica Internista pelo American Board of Internal Medicine e Ordem dos Médicos Portuguesa. Áreas de interesse; neurociência, nutrição, hábitos e treino da mente. Curso de Hipnose clínica pela London School of Clinical Hypnosis. Curso de Mindfulness Based Stress Reduction. Palestras e Workshops de diferentes temas na área da neurociência para instituições académicas, empresas e grupos.

Últimos comentários
  • Com a migração para os suburbios e espaços urbanos, a velha frase do Twain “It Takes a Village to Raise a Child” é mais relevante que nunca.
    O Cohousing será um retorno saudável à aldeia primordial

  • Ideia muito interessante em termos de partilha de conhecimentos inclusivamente. Cada família vive segundo percebi com privacidade na sua casa, mas convive com a comunidade, em momentos de laser,de convivo inclusive em refeições, de eventais tertulias onde todos poderão participar sendo pertencentes a diferentes grupos etários e de experiencias de vida inclusive culturais. De certo modo um combate o isolamento e à solidão.

  • Huxley aponta no mesmo sentido (será sempre utopia, claro) em THE ISLAND.

  • Referia-me à ideia de uma criança poder ter cem pais, ou de poder andar livremente de família em família.

  • Se bem me lembro, no prédio onde eu vivi em Lisboa, até aos meus 17 anos, em plenas Avenidas Novas, sempre existiu cohousing. Não tinha um nome tão pomposo mas tinha todos os ingredientes: todos sabiam os nomes e os problemas uns dos outros, e as crianças andavam de casa em casa ao sabor das brincadeiras e das necessidades. Afinal estamos a descobrir a pólvora seca!

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