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Comunicação em 2050

Os seres humanos comunicarão com seres virtuais, “robots” e objectos em 2050. Comunicarão também com animais e plantas.

Os seres virtuais mais interessantes serão os entes queridos falecidos de 2020 a 2050. Nesse período, os cidadãos interessados em se perpetuar utilizaram o seu dispositivo móvel pessoal para gravarem, em imagem e som, o seu quotidiano. Utilizando inteligência artificial, vai ser possível simular, em 2050, diálogos com os nossos parentes e amigos desaparecidos utilizando esse repositório de memórias.

Autores como Bill Joy consideram que os “robots” serão mais inteligentes que os seres humanos em 2050. Nessa altura, os “robots” poderão questionar se somos necessários no Planeta. Daniel Wilson escreveu “How to survive a robot uprising” (“Como sobreviver a uma revolta dos “robots”), preparando-nos, com humor, para essa eventualidade.

Não partilho dessa visão apocalíptica. Graças às técnicas de auto-fabricação, vamos produzir os nossos próprios “robots”. Podemos, no limite, criar um exército de “robots” que nos defenderá dos “robots” revoltosos.

Para comunicarmos com os objectos temos que lhes dar inteligência. Há inúmeras técnicas a serem investigadas para esse efeito. Aposto na codificação de regras de interacção com seres humanos utilizando computação química. Quando em 2050 tocarmos num livro (uma espécie em vias de extinção) visualizaremos uma mensagem na capa dizendo: “tem cuidado no manuseamento senão desapareço para sempre”.

Para comunicarmos com os animais e plantas temos que conhecer a sua inteligência e codificar as suas linguagens. Um trabalho eterno de ecologia sensorial. Mas em 2050 poderemos, pelo menos, falar com os nossos animais domésticos.

A evolução da comunicação interpessoal humana será condicionada por dois factores fundamentais: a capacidade de “ler” a actividade cerebral dos outros utilizando os nossos dispositivos móveis; e a redução dessa actividade com a idade.

Para evitar que os outros cidadãos leiam o que pensamos vão ser desenvolvidos “exo-cérebros” que disfarçam a nossa actividade cerebral. Estes dispositivos filtrarão a comunicação do que verdadeiramente pensamos. Os “designers” de 2050 inspiraram-se na série “Mad Men” do princípio do século, e os “exo-cérebros” vão ser parecidos com os velhos chapéus.

Em 2050, graças aos avanços na medicina viveremos até aos 140 anos. Mas a nossa actividade cerebral vai-se começar a degradar a partir dos 100 anos. Na comunicação com cidadãos mais novos teremos que recorrer à inteligência artificial, implantada através de “chips” nos nossos cérebros.

A meio do século XXI, a relação da maioria dos cidadãos com os seus Governos era inexistente. Esse processo começou em 2010. Foram-se criando comunidades de pessoas com interesses idênticos que viviam seguindo os princípios da anarquia expostos por Peter Kropotkin, no final do século XIX. Muitas dessas comunidades eram a expressão física das redes sociais do Facebook, a maior empresa do Mundo. As comunidades distribuíam-se pelo globo.

Sobreviviam ainda alguns locais que obedeciam a governos, nomeadamente quando o nível de educação da população era baixo. Esses locais transformaram-se em parques temáticos cujos visitantes eram os cidadãos das comunidades anarquistas.

António Câmara
Junho 2011

Fotos de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

António Câmara, Engenheiro Civil (IST). MSc e Ph.D em  Engª de Sistemas Ambientais,Virginia Tech. Post-Doctoral  Associate (MIT), Visiting Associate Professor em Virginia Tech. Visiting Research Scholar em Cornell University e MIT. Investigação em simulação, sistemas de informação geográfica, multimedia e realidade virtual. Fundador da Ydreams, empresa que desenvolve soluções de realidade aumentada a nível global.

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