De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Maria José Mateus

Nasce em 1923, em Castelo Branco.
Tira o Curso de Farmácia  em 1948, mas não exerce.
Em 1981 faz a Cadeira de História de Arte do Curso de Formação Artística da S.N.B.A e  em 1983 o Curso de Gravura em Metal, orientado por David Almeida e posteriores cursos de especialização. Dedica-se à Tapeçaria desde 1977.

A partir de 1984 integra o Grupo 3.4.5. — Associação de Tapeçaria Contemporânea Portuguesa. Participa em mais de uma centena de exposições colectivas em Portugal e no Estrangeiro; Exposições de Arte Portuguesa em França; Exposição de Mini Tapeçaria (Small Tapestries from Twenty Countries Merlbourne, Austrália); Exposition Internationale de Tapisserie, Palais de 1’Europe, Menton, France; Exposição no Museu de Arte Africana em Dakar, Senegal; Tapeçaria Contemporânea; Instituto Cultural de Macau, Lisboa; 10th InternationalTriennial of Tapestry, Lodz, Polónia.

Esteve representada na IV Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira; III e IV Mostras de Arte de Lagos; I Bienal de Arte de Sintra; I Bienal de Arte de Vila do Conde; I e II Bienais de Arte do Sabugal; Bienal de Tapeçaria de Matosinhos; I, II, III e IV Simpósios de Tapeçaria Contemporânea de Loures; Exposição “Ecologia” em Loures.

Artista convidada os “100 Anos / 100 Artistas – Centenário da S.N.B.A. (Sociedade Nacional das Belas Artes). Foi júri de Selecção no Concurso “Novos Valores da Cultura” -1988.

Realizou quatro exposições individuais. Recebeu o 3° Prémio na Bienal de Tapeçaria de Matosinhos e o 1.° Prémio no Salão dos Sócios – 2005 da S.N.B.A. (Sociedade Nacional das Belas Artes).

Citada em: “Diccionário de Pintores e Escultores Portugueses” de Fernando Pamplona (IV Volume); “Arte Guia Ibérico” (1989-91); “Gente Ilustre de 2001” – Ed. Universitária Editora (pág. 184).

DESENHAR E PINTAR COM LÃS

da teia à tapeçaria

Lançar uma teia
Olhá-la como se fosse uma tela em branco
Escolher uma gama de cores
Começar a entrelaçar fios…

Assim nasce a minha tapeçaria
Quase sempre sem uma ideia.
Sempre sem cartão antes elaborado.
Uma cor pede outra cor.
Um traço pede outro traço.
Formas nascem.

Pinceladas de lã
Um jogo fio a fio.

Maria José Mateus

Movimentos, 2005, 1,00x0,80m
Sinfonia, 2006, 1,02x0,80m

A tapeçaria: sem ela não tem sentido a vida

Cristina Azevedo Tavares

A obra de tapeçaria de Maria José Mateus já vem de longe, e traz um recado preciso: a convicção profunda de que sem ela não tem sentido a vida.
Maria José Mateus faz parte de um grupo de artistas que renovaram a tapeçaria e que lhe deram um cunho experimental e decisivamente moderno, incluindo a área do mini-textil, que a sua ligação ao Grupo 3.4.5 – Associação de Tapeçaria Contemporânea e a amizade com a saudosa Gisela Santi fortaleceu com a sua presença.
Aquilo que ressalta, num primeiro olhar, é a proximidade fascinante entre o universo da pintura e da tapeçaria. Esta situação tem que ver com vários aspectos, em particular o gosto pela pintura e o desenho que desde menina cultivou, incentivada mais tarde pela pintura de Tomás Mateus, seu marido e companheiro de muitos anos.
Basicamente, aquilo que Maria José Mateus faz é, como ela própria diz, “pintar com lãs”. Só que em vez de tintas, temos fios coloridos que, criteriosamente, vão sendo escolhidos antes de iniciar uma nova peça, a partir de uma paleta segura. Trabalhando num tear de alto-liço, Maria José desenvolveu um modo pessoal de tecer, pois coloca fio a fio para criar a trama do avesso. O tear vertical feito pelo seu marido, embora tenha igualmente trabalhado noutros, é colocado num cavalete, permitindo um manuseamento da peça. Outro aspecto importante no seu processo de trabalho reside no facto de Maria José Mateus não realizar um cartão, o que previamente definiria a tapeçaria. Assim parte sempre para uma aventura, pois a composição vai-se realizando e tomando corpo ao ritmo do trabalho de mãos, respirando nas paragens próprias e sendo olhado quantas as vezes necessárias para poder ser concluído. Existe assim um poder do acaso e uma continuidade temporal, que se assemelham ao fazer da pintura.
As obras de Maria José Mateus filiam-se numa corrente abstracta, onde as formas geométricas como as elipses, círculos, rectângulos e quadrados se articulam com elementos mais orgânicos, criando labirintos fascinantes de cor, que se submergem uns nos outros. A alternância cromática ajuda ao ritmo da composição, salientando-se de um modo geral, a sugestão de uma continuidade do desenho para além dos limites da trama, provocada pela intensidade dos efeitos perceptivos.
Se a proximidade com a pintura é notória nas peças que tem criado, é também certo que só através da técnica da tecelagem se consegue uma passagem de tons e de formas tão nítida, sugerindo-se em muitas delas, movimentos ondulatórios que às vezes se chocam em direcções diferentes dentro da mesma composição. Por sua vez, a constante qualidade da cor dos fios de lã depois de tecidos, conferem às suas peças uma matéria única e de expressão graciosa.

2008

Contradança, 1988, 1,33x1,16m
Sol-posto

Video e fotos de João Mateus

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Escrito por

Nasci em Lisboa, em 1951. Licenciei-me em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1977. Ao longo de 30 anos, integrei os quadros técnicos do Ministério das Obras Públicas e da Educação, tendo elaborado diversos projectos de escolas, com destaque para espaços de performance, nomeadamente auditórios. Sou também autor em diversos campos como o desenho, o pastel seco, a aguarela, o desenho acrílico, o óleo, a gravura, o azulejo, a fotografia, o video, a escrita e a música (como instrumentista e construtor de instrumentos antigos de sopro de madeira). A razão não avança o que a paixão alcança. Observo a realidade e contemplo o sonho.

Últimos comentários
  • O Belo numa arte feita de fios de memória e paciência.

  • Extraordinário. Adorei. O video prende-nos desde o início. Na boca da Maria José Mateus, tudo parece simples: um risco pede outro risco, uma cor pede outra cor. A simplicidade do belo.

  • Este video está magnifico, apanha toda uma cultura e arte da Sr.ª Dr.ª Maria José Mateus, uma artista que coloca no tear as cores do seu respirar tranquilo. Também apreciei a errância consciente de suas mãos, dando luz e profundidade a algumas das suas belas obras em tear!
    Sinto este seu ousado trabalho, vanguardista, ( como foi já dito) que me fez pensar um pouco, na pintura de Vieira da Silva,
    Acho muito lindo, belo, estas tecelagens com sol e tranquilidade! Gostei muito da naturalidade com que esta linda senhora fala de si, parecendo tudo muito simples, não o sendo…

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