De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...
 

Os dados estão lançados

Os dados estão lançados

Chegamos a este mundo com alguns programas de funcionamento impressos no nosso DNA.
Dizem que logo à partida diferimos na curiosidade, no grau de introversão ou extroversão, na reacção ao perigo e tendência para se ser consciente.
Como facetas de um dado somos lançados no tabuleiro da vida com estas características que herdámos e às quais o mundo, ou seja “Os Outros”, vão reagir.
Nos dois primeiros anos de idade, estaríamos idealmente, no seio de uma família acolhedora, em que o Pai e a Mãe se conhecessem bem a si próprios, e assim soubessem distinguir as necessidades do bebé das suas limitações e reacções ao stress que são particulares a cada pessoa. Os outros vão, assim, reagindo a nós e é nesta interacção que criamos o nosso dicionário de emoções e enchemos a biblioteca da memória que servirá de referência a futuras experiências.
Ora imaginem 2 irmãos gémeos, um curioso, extrovertido, sem medo, o outro irmão mais introvertido e cauteloso. Entram numa sala de aula onde a professora (escolho o feminino porque infelizmente cada vez temos menos professores masculinos) se enerva com a extroversão do primeiro, mas comunica bem com o temperamento cauteloso do segundo. Aos poucos, um é reprimido e o outro acarinhado. Aos poucos, os Outros vão-nos moldando, sem que nessa tenra idade possamos ter consciência do que se está a cristalizar dentro de nós: reacções de defesa aos outros que nos permitem sobreviver.
Os pais são peças fundamentais na formação de seres humanos, com capacidade de integração pessoal e social, que se tornem peças fundamentais dum tecido humano flexível, onde a partilha substitua a competição, onde a comunicação sintonizada substitua a reactividade primária ao potencial perigo de quem é desconhecido.
Os professores (as e os) são forças fulcrais nas encruzilhadas do desenvolvimento neuronal e psicológico de toda e qualquer criança.
O nosso sistema nervoso pode equiparar-se a um polvo. Os tentáculos seriam os órgãos sensores e a cabeça os HUBs neuronais que integram e processam a informação percepcionada no exterior e no interior do corpo.
Todo o polvo é percorrido por uma rede de neurónios com infinita capacidade de conexões onde toda a experiência percepcionada é processada em referência à tal informação acumulada e registada nesses HUBs.
Nesta extensa rede neuronal que partilhamos com os outros, que incorporamos no nosso corpo e que regulamos com a nossa mente, é fundamental que toda a informação e energia que a permeia seja processada e integrada para não criar áreas de stress na rede. Os Outros ajudam-nos a narrar a nossa autobiografia e por isso são tão importantes no processamento da experiência.
Na infância, onde alguns dos centros integradores neuronais ainda estão por se desenvolver, são os nossos Pais e os nossos Professores que através da paciente narrativa dos factos, o carinho e relações de segurança, substituem a função desses centros. Usamos os programas dos adultos que nos rodeiam como processadores da nossa experiência.
Para isso, pais e professores devem educar, tendo em conta os novos conhecimentos neurocientíficos sobre a nossa natureza para que assim se integre a transmissão do conhecimento à formação de seres verdadeiramente Humanos

Minnie Freudenthal
Setembro, 2014

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Fotos de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

Alice Minnie Freudenthal, médica Internista pelo American Board of Internal Medicine e Ordem dos Médicos Portuguesa. Áreas de interesse; neurociência, nutrição, hábitos e treino da mente. Curso de Hipnose clínica pela London School of Clinical Hypnosis. Curso de Mindfulness Based Stress Reduction. Palestras e Workshops de diferentes temas na área da neurociência para instituições académicas, empresas e grupos.

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